Capítulo 9
As Marcas do Passado
Pedro e sua avó fizeram mais uma pausa na conversa. Ela levantou novamente para verificar se tudo acontecia bem com as comidas que estavam sendo preparadas na cozinha. Já começava a se aproximar do meio dia e o jovem pescador estava refletindo sobre aquele relatado por ela. Após verificar a moqueca fervendo, a velha senhora retornou e os questionamentos foram novamente iniciados por Pedro.
– E a senhora, minha vó? Já viu alguma coisa? Tem alguma experiência dessas?
– Eu? Não! Eu era muito medrosa – os dois riram juntos – e quando escurecia eu não saía mais para o lado de fora. Mas dizem que se via muita coisa por lá. O pessoal disse que cansava de ver descer das roças várias coisas estranhas.
– E viam o que mais? Viam outros bichos também?
– É! Via uma moça cantando dentro de uma barrica enorme, mas isso daí eles disseram que era algo que vinha das pedras altas que eram encantadas. Às vezes viam essa jovem como se fosse um peixe dentro do lago, às vezes ela saia andando pelas matas e às vezes descia de lá daquelas pedras medonhas que tinham lajes compridas lá em cima. Era muita pedra, cada monte bem grande. Eles cansaram de ver também, dizem que um cavalo. Dizem que viam a trincaria mesmo. Muitos contavam a lenda de uma mulher que era concubina do padre e se transformava na Mula sem Cabeça. Eu ainda me arrepio quando lembro do que elas contavam. Era sempre por volta da meia noite que virava a mula. O pessoal cansou de ver, descia para a rua e voltava novamente para os morros. Eles contavam muita coisa. Agora eu? Não! Por que eu tinha muito medo. Também dizem que viam outro tipo de facho a meia noite. Acho que esse outro se chamava Beatatã. Sempre davam carreira no povo. Eram comadres falecidas que não havia se respeitado em vida. Era uma coisa assim que elas contavam. Dizem que eram duas tochas de fogo que, quando se encontravam, se queimavam ainda mais. Isso tudo o pessoal me contava. Aquele pessoal dos mais velhos que não existem mais.
– Um dia vou às roças para que eles me contem outras histórias como essas, minha vó. Estou realmente sem saber o que dizer. Quanto ao que aconteceu ontem, aquilo não pode ficar somente na nossa lembrança e se tornar apenas mais uma lenda como essas.
Depois de todos aqueles contos relatados por sua avó, Pedro se sentia cada vez mais impulsionado a iniciar uma jornada em busca de mais informações. Ele queria saber o quão real eram todos aqueles outros mitos que lhe foram apresentados. Tanto ele quanto a sua avó agora já se sentiam em um clima mais tranquilo e os seus corações estavam mais confortados pela companhia um do outro. Ainda assim, uma chama de curiosidade e destino crescia no peito de Pedro fazendo-o colocar-se à disposição de ir mais além. Durante aquelas conversas, o seu avô passou algumas vezes em frente à porta e nada falou. Inicialmente Pedro não deu muita relevância àquela barreira de conversação, mas seria algo que ele certamente questionaria em uma próxima oportunidade.
Depois daquele momento, o dia correu mais tranquilo, porém acredita-se que não se diria o mesmo fora daquela casa. Após uma tarde de descanso, o sol havia se escondido novamente sobre algumas nuvens e a noite passou despercebida. Na manhã seguinte a luz do sol estava mais uma vez pálida e a rua ainda estava quieta demais. Assim como os outros moradores do local, a família de Pedro tendia a não ter muitas conversas sobre o ocorrido e eles sempre se perdiam em seus pensamentos por causa disto. A sua avó ainda cuidava de alguns de seus ferimentos causados no embate com a Matinta Pereira e já era final da tarde quando Pedro mais uma vez resolveu quebrar o silêncio.
– Minha avó! A senhora não acha que está tudo estranho demais? Eu imaginei que as pessoas viriam aqui em casa falar comigo, mas até agora não vi ninguém na rua. Por que será?
– Deixa isso pra lá menino, não vamos falar novamente dessas coisas, já é tarde.
– Mas eu não entendo, o que aconteceu anteontem não pode ser menosprezado para se transformar em mais uma lenda. Tudo aconteceu de verdade, foi real. Temos que procurar saber mais. A gente não sabe qual perigo nos espera e temos que nos preparar.
Nesse momento, de forma muito estranha, o seu avô apareceu na porta do quarto onde estavam conversando. Mais uma vez ele disse a Pedro que desistisse daquilo tudo, pois o acaso já teria sido bom demais em fazê-los retornar para casa sãos e salvos. Ainda assim o jovem pescador insistiu e questionou:
–Mas, meu avô, o que o senhor tanto teme? Aquela foi uma prova real de que existem criaturas misteriosas em nosso mundo. E ainda mais: mesmo que sejam perigosas, podem pode ser vencidas.
– Você ainda é muito novo, Pedro, se acha que elas sempre podem ser derrotadas. O que você viu ontem não é tudo.
Mesmo com a desaprovação de sua avó, Pedro insistiu em indagar o seu avô para que falasse mais sobre o que aparentemente tentava esconder. Então o jovem pescador voltou a incitá-lo.
– Quando o senhor fala assim, parece que não quer contar algo!
– Existem coisas que devem ficar esquecidas. – Respondeu prontamente o seu avô.
– Devemos nos esquecer de anteontem? Será que isso não poderá acontecer de novo?
– Esquece isso Pedro – falou a sua avó que tentava intermediar a conversa – daqui a pouco vai escurecer e não é bom falar disso durante a noite.
– Está bem então. – O seu avô resolveu quebrar o silêncio – Irei contar a você uma história e no final você entenderá por que não está ouvindo ninguém falar sobre o assunto de ontem.
Então o avô de Pedro se colocou à disposição para contar sobre o seu passado e os três se acomodaram no pequeno quarto. Como precaução, aquele senhor fechou um pouco a única janela que havia após dar uma rápida olhada para fora da casa. Então ele foi até outro cômodo vizinho ao quarto e acendeu uma vela ao lado do oratório de sua esposa. Aquilo era alguma forma de proteção que ele buscava nas imagens dos santos que ali estavam. O sol já começava a se pôr e a lua se erguia imponente naquela semana. Ela iria auxiliar para que a conversa se prolongasse no início daquela noite. Então o seu avô começou a falar:
– Há bastante tempo, em um dia de São Roque, eu estava na casa da sua bisavó. Não éramos acostumados a dormir tarde, mas naquele dia eu e meus primos estávamos aprontando em nossas camas. Era uma noite de lua cheia como a de hoje e estava tudo iluminado por ela. Ouvimos passos na rua e percebemos que, pelas vestimentas, a pessoa se assemelhava a um padre. Já era muito tarde e ele estava com aqueles sinos e um candeeiro na mão indo em direção à igreja. A gente levantou e o viu pela fresta da janela andando pela rua. Permanecia calado e logo desapareceu ao passar pela esquina. Um de nós falou que devia ser um senhor chamado Porfírio, pois era aquele homem estranho quem morava naquelas bandas. Por esse motivo não ele acreditava que seria propriamente um padre. Em verdade, era desejo daquele nosso primo que os demais ficassem com medo, pois as pessoas da região achavam que o tal Porfírio virava bicho nos dias de sexta feira. Elas falavam que ele virava Lobisomem. Minha mãe, sua bisavó, Pedro, veio ao quarto e nos mandou calar a boca. Ela também ouviu os passos na rua e ordenou que todos ficassem quietos imediatamente. Também não acreditava ser Porfírio por que o homem andando na rua estava vestido como um padre. Eu fiquei olhando por um buraquinho para o lado de fora da casa tentando ver se observava alguma coisa novamente.
– E esse tal de Porfírio, meu avô? Que história é essa? Como assim, virava lobisomem? – perguntou Pedro incessante.
– Virava! Diziam que ele morava na parte alta da cidade, nos matos. O povo cansou de ver ele descendo dez e onze horas da noite com tudo escuro. Prestavam atenção e diziam que ele descia da roça e tirava toda a roupa. Havia um medonho pé de árvore, uma gameleira, onde ele guardava suas vestes e se virava em um bicho horroroso. Virava um bicho grande para ir para a maré. Dizem que ele tirava a roupa e guardava de baixo daquela árvore, depois virava o bicho nos dias de sexta feira. Mas, ninguém sabia ainda ao certo se era verdade. Quando o viam, ele dava carreira no povo todo. Quando os pescadores davam o lance da rede, o bicho pegava todos os siris que sobravam e os comia vivos. Comia siri, peixe cru e por isso vivia todo amarelado quando estava na forma de gente. Certa vez, o pessoal que pescava tarde da noite viu ele descendo dos matos. O andar dele já era assim meio corcunda e estranho. Por isso diziam que ele se transformava em um cachorro grande. Quando era de manhã o povo dizia que ele se transformava todo e virava gente de novo. Ele amanhecia todo mole. O pessoal ia lá em cima ao rancho em que ele morava e via que ele vomitava tudo. Botava pra fora aquele romeiro de casco de siri e peixe. Às vezes ele comia gente também, é o que diziam. O povo ficava com um pau enorme na mão para se proteger, mas ninguém tinha certeza se era ele mesmo. Quando as pessoas viam aquilo, elas ficavam com medo dele fazer alguma coisa. Por isso não iam mais na sua casa. Ficavam caladas, mas todo mundo sabia cada vez mais que era ele que virava o tal bicho. Falavam que isso tudo era uma maldição de sua mãe que teve sete filhos e que, mesmo sabendo que tinha que batizar todos eles, não o fez. Com Porfírio foi assim, por isso ele virou lobisomem. Ele era o sétimo filho de uma família muito misteriosa. Sempre que alguém falava sobre o assunto acabava morrendo estranhamente ou simplesmente desaparecendo. Alguns deles, ainda no leito de morte, alertavam: “se falar dele, ele sabe”. É por isso, Pedro, que as pessoas não estão comentando sobre o assunto. Elas têm medo!
Pedro ficou muito abismado com aquela história e perguntou se naquele dia do padre eles viram algo mais. Ele queria saber se o tal homem transformado em lobisomem havia aparecido. Seu avô, que era bastante ranzinza, resmungou em ter que continuar, mas cedeu.
– Vamos lá! Fiquei olhando pela janela, contudo não vi mais o tal padre. Ainda assim, dava para sentir que havia algo estranho lá fora. Era um dia como hoje, a lua estava cheia e o vento fazia barulho ao entrar pela janela. Foi então que de repente ouvimos alguma coisa pular sobre o telhado da casa. Minha mãe me pegou pelo braço e me tirou de onde eu estava espreitando. Mandou que ficássemos calados sem fazer nenhum barulho. Dava para ouvir lá fora o som de alguns passos na rua que pareciam com algum tipo de animal. Fomos para um o quarto da minha mãe e lá havia uma janela pequena sem grade que dava para o quintal. Não dava para ver muita coisa, somente árvores no escuro com uma iluminação da lua naquele ponto. Começamos a ouvir os uivos do lado de fora e ficamos morrendo de medo. Como nossa casa era colada com a parede do vizinho, a gente percebia que eles também deveriam estar exatamente como nós: escondidos e quietos. Quando eu resolvi espiar pela pequena janela que dava para o quintal, tive uma das piores visões da minha vida. Estavam lá, dois bichos medonhos. Não era um só não, eram dois Lobisomens juntos. Eles andavam estranhos, às vezes como a gente, de pé, às vezes como cachorro e mexiam nas coisas lá no fundo. Chegaram a olhar na minha direção, mas eu consegui sair rápido antes que eles me vissem. Antes disso eu havia conseguido enxergar a face de um deles na luz da lua. Ficamos juntos abraçados sem querer olhar para nenhuma direção com medo de encarar os bichos de frente. A gente ouvia o barulho lá fora a todo tempo. Não tínhamos dúvida, a gente sabia que eles estavam lá fora. Meus primos estavam morrendo de medo e não ficaram quietos como era desejado. Naquele momento, um deles se levantou repentinamente. Foi o mesmo que havia iniciado o assunto do tal Porfírio. Ele não acreditava muito nas histórias sobre o monstro e queria ignorar a situação. Levantou-se e disse que aquele barulho no telhado era apenas o vento. Na realidade, ele estava com tanto medo em seu coração que preferia não acreditar no que estava acontecendo. Minha mãe tentou pará-lo com gestos, pois não queria fazer nenhum barulho. Ele subitamente levantou e saiu em disparada. Correu para a porta da frente buscando diminuir seu medo com uma explosão de coragem, mas era apenas burrice. Então, quando ele abriu a porta e saiu da casa, a gente viu que era realmente verdade. Os Lobisomens foram para cima dele. Avançaram com muita raiva e rosnando. Então, por uma ação de desespero, ele correu desgovernado pela rua em vez de retornar para dentro da casa. Vimos naquele momento que eram muitos daqueles bichos lá fora. Perdemos o nosso primo naquele dia de uma forma terrível. Foi muito feio Pedro, eles o rasgaram todo e se lambuzavam no sangue dele. Acho que foi por isso que o irmão dele se tornou uma pessoa tão má ao ver aquilo com a gente – o avô de Pedro estava se referindo ao fazendeiro de outrora que se transformou no Corpo Seco.
– Meu avô, por que o senhor nunca me contou isso? Então essas coisas são mais reais do que a gente imaginava, não é? Viu o que aconteceu também anteontem? Viu o que aconteceu nesse dia que o senhor está me contado? Viu que ...
– Mas Pedro, nem sempre se ganha. Nesse dia a gente perdeu tudo. O irmão dele ficou desesperado com aquela cena horrível e saiu correndo dos braços da minha mãe para o meio da rua da mesma forma. Eu levantei para tentar segura-lo, mas não foi uma boa escolha. A lua iluminava a rua e ainda dava para ver os bichos sobre meu outro primo. Quando eles viram a gente, vieram correndo para cima de mim e eu também me desesperei correndo sem saber para onde ia. Acabamos seguindo para o outro lado, na direção da casa de um vizinho. Uma das criaturas veio em minha direção e pulou em cima de mim. Olhe minhas costas Pedro – nesse momento ele tirou a camisa e mostrou cinco arranhões que foram feitos pelas garras do animal – eu caí junto com a criatura. Ela se machucou e por isso acabei conseguindo fugir. Meu primo batia desesperadamente na porta da casa dos vizinhos para que abrissem e nos ajudassem. Eles nos viram pela janela e abriram rapidamente. Então nós entramos e ficamos com eles. Era uma família pequena, apenas um pai, uma mãe e um filho. Ficamos no quarto que dava para a frente da rua. Estávamos olhando pelas frestas da janela para ver se o monstro ainda estava me seguindo. O senhor daquela casa me sugeriu que saíssemos de perto da janela. Quando olhei na direção dela novamente eu ouvi um barulho do lado de fora como se algo tivesse batido contra ela. Dava para sentir o calor do bafo do bicho e o olho dele tentando nos enxergar dentro da casa pelas frestas, mas lá dentro estava tudo escuro. Percebemos que a criatura era um pouco diferente dos demais, pois se apresentava com um focinho parecido com o de uma anta e usava para farejar pela janela. Ele tentava subir desajeitado pela janela com um pé parecido com uma garrafa. Naquela casa havia alguns filhotes de gatos e no momento em que um dos pequeninos soltou um miado, a criatura imediatamente se mostrou sedenta pelo alimento que poderia ter encontrado ali dentro. Eu fiquei calado sem respirar e vi o bicho medonho subindo para o telhado. Ficamos todos quietos sem dar um passo enquanto a matriarca daquela família aconchegou os pequenos gatos para que não fizessem mais barulho. A fera começou a tentar destelhar a casa. Ela estava procurando ferozmente se alimentar naquela noite e não importava se fosse aquele pequeno filhote ou a nós mesmos. A criatura sentia o cheiro do nosso medo de lá de fora da casa. Aquele não era um Lobisomem de fato, Pedro. Estranhamente a criatura estava naquela matilha, mas se tratava na verdade de um Capelobo: um animal meio homem meio bicho. Eu estava realmente morrendo de medo e minhas costas sangravam muito, eu sabia que ele a qualquer momento iria conseguir entrar na casa e me achar. Porém, como por uma prece, vários caçadores que moravam naquele lugar saíram de suas casas armados atirando na direção dos bichos. Foram muitos tiros. Meu primo gritava desesperado com o som de tantas balas. Sem contar com o fato de que o Capelobo ainda estava tentando entrar na casa. Eu não conseguia imaginar o que estava acontecendo ao certo lá fora, até que a gente ouviu um uivo muito alto. De repente, também ouvimos o som dos animais correndo em direção ao mato. A criatura parou de tentar invadir a casa e foi embora como se respondesse àquele chamado. Ouvi o som dos caçadores conversando lá quando percebi alguém batendo forte na porta. Era minha mãe que estava nos procurando. Ela estava com o nosso primo mais novo e eles vieram nos buscar. Quando saí pela porta daquela morada percebi que todos os habitante do vilarejo estavam na rua. Muitos carregavam um lampião aceso para iluminar ainda mais o local. Todos me olhavam querendo saber se eu estava bem, mas havia desconfiança no olhar deles. Acredito que lembravam dos contos que envolvem Lobisomens e pensavam no que acontece com as pessoas que são feridas por eles. Geralmente também acabam se transformando na mesma criatura. Mas acho que isto não aconteceu comigo, não é? – Houve uma pausa e uma troca de olhares questionadores entre eles, mas nada foi dito e o avô de Pedro continuou. – Eu fui pra casa e fiquei lá exatamente como você está hoje: com alguém cuidando dos meus ferimentos. No outro dia, ninguém falou sobre o assunto além do meu tio, pai do meu primo morto pelas feras. Ele morreu exatamente no dia seguinte à morte de um dos filho. A sua mulher e o seu filho o encontraram destroçado em sua fazenda. É exatamente por isso, Pedro, que ninguém fala mais sobre essas coisas. Quem fala, morre. Acredite!
Pedro não sabia o que dizer para o seu avô que aparentava estar bastante cansado com toda a energia usada para lembrar e contar aquela história. Ele respeitava muito a sabedoria daquele senhor e ao ver as suas marcas ele entendeu que talvez fossem as marcas da sobrevivência. Lembranças de alguém que passou pelo mesmo que ele, ficou quieto e estava vivo até aquele dia. Os pensamentos de Pedro ficaram bastante confusos ao refletir sobre o que ele deveria fazer afinal de contas. Ele pensava em ir mais a fundo, porém a sua experiência de triunfo sobre a Matinta Pereira era confrontada com a história contada pelo seu avô. Aquele era um relato totalmente desastroso contra os Lobisomens e o Capelobo. A noite já estava se estendendo e Pedro resolveu seguir os conselhos dos seus avós. Ele não iria não continuar mais a pensar ou falar naquele tipo de assunto. Ao menos naquela noite, Pedro se comportou conforme as recomendações e foi dormir em silêncio.